sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Decodificando a Linguagem Corporal

CURSO DECODIFICANDO A LINGUAGEM CORPORAL

A ABRATECOM tem o prazer de convida-lo (a) a participar do CURSO DECODIFICANDO A LINGUAGEM CORPORAL a ser realizado em

Nogueira/ Petropolis/ Rio de Janeiro, com o PROF. ADALBERTO BARRETO. Mais informações sobre o curso no arquivo em anexo. Também anexo

a ficha de inscrição a ser preenchida e enviada para o email abratecom@abratecom.org.br





Att
Selma Hinds
Presidente da Abratecom

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Reversibilidad de valores (Ramón P. Muñoz Soler)

“Hay un movimiento de expansión de La vida, de florecimiento en la diversidad de los valores, y um movimiento de repliegue de la vida sobre si misma em busca de um valor único que la trasciende” (Ramón P. Muñoz Soler, Antropología de Síntesis, 1980, p. 215)

Esta citación, que nos remite a um tipo de escritura en que el autor y la obra se funden, tan contrariamente a lo que se acostumbra ver em aquellos escritos en que uma cosa no tiene nada que ver com la otra, tal la disociación entre lo que se escribe y lo que se es, entre el autor y su obra, me parece la mejor manera de introducir al lector, a um tipo de obra en que de a poco uno se va descubriendo parte de la misma.

En la mayor parte de los libros universitarios, dichos científicos, no te reconoces, no te ves, no estás allí. Es lo que una llamada “academia,” tiene como texto científico. No debes estar allí, o no será científico.

En los textos de Muñoz Soler, ocurre lo contrario. El autor está allí, vos también, y en ese diálogo que camina hacia una convergencia fecunda y reveladora, de pronto te vas viendo como parte de una realidad de la que siempre formaste parte, y no sabías, o mejor dicho lo habías olvidado.

Las obras de Ramón P. Muñoz Soler, desde Gérmenes de Futuro e El Hombre, hasta las más actuales, publicadas después de su muerte, tienen todas el mismo signo: son llamados a un reencuentro de la persona consigo misma, a un regreso del ser a la dimensión o dimensiones que les son propias, y es a ésto a lo que se refiere el texto del epígrafe.

Cuado fue publicado Gérmenes de futuro en el hombre, en los años 1960, la revolución estudiantil estaba en su auge. La obra de Muñoz Soler recoge ecos de las luchas sociales y de los movimientos científicos y espirituales. Su lenguaje es de síntesis, pues dice tantas cosas al mismo tiempo, que muchas veces puede parecer o de hecho ser ininteligible.

Pero el autor da las claves para su propia interpretación, en “Reversibilidad de valores”, publicado póstumamente: Puede ser leído intelectualmente, o por resonancia por similitud. Y ambas vías pueden complementarse, y de hecho, lo hacen, según la sensibilidad y puntos de vista de los lectores.

El lenguaje de síntesis de Muñoz Soler nos abre las puertas para una lectura de nosotros mismos y del mundo en que vivimos.

Ponte Fortaleza – Grenoble

José Maria Tavares de Andrade*

Este início de ano vai ficar na história das relações Norte/Sul pelo sucesso da Ponte Fortaleza – Grenoble. O avanço dos intercâmbios entre estas duas municipalidades vem espalhando a Terapia Comunitária com o fogo no monturo, não só em Grenoble e Marseille, como na Suíça e outros países da Europa e da África. Não se trata de uma ponte aérea, nem de uma linha vermelha, pois não contamos com vôos diretos nem freqüentes entre os nortistas do hemisfério Sul e os sulistas franceses.

Para chegarmos a Grenoble, cidade de 300 mil habitantes, aterrissamos no aeroporto de Lion e até encontramos nosso amigos, fizemos mais 100 km ao Sul, em 28 minutos apenas de trem, saindo da estação Lyon Part Dieu - que quer dizer a parte de Deus, ou seja, o de comer dos pobres. Em Grenoble estamos a 300 Km do Mediterrâneo, a 500 de Paris e de Strasbourg.

Nesta região de tradição religiosa e revolucionária – onde nasceu a Revolução francesa - os nativos resistiram à águia do imperialismo romano que derrubou os templos celtas dizendo-se até hoje que os gauleses analfabetos temiam que caíssem em suas cabeças pedaços de céu velho. Em Lion vemos ainda o teatro romano onde os leões trazidos de Roma comiam os perdedores vivos. Com o Cristianismo o sacrifício não é mais sangrento, e com a 'modernagem', os espetáculos de massa são menos violentos, tanto na terra de Zidane que no país de Ronaldinho, de Pelé, de velhos carnavais e novas novelas. De Lion partiram para o novo mundo missionários de muitas ordens religiosas e foi de Lion que partiu o Espiritismo de Alan Kardec para alimentar os sincretismo na religiosidade popular. O Brasil que ainda forja seus deuses e exporta suas novas religiões, além de matérias primas.

Hoje a região importa a Terapia Comunitária do Dr. Adalberto Barreto. Neste outro lado do Atlântico tivemos que rebatizar esta inovação e avanço na saúde pública, pois as duas palavras – "terapia" e "comunitária" – fazem medo aos europeus. "Terapia" é coisa só para doutor, ou seja monopólio de um saber legítimo de uma medicina que ela mesma está doente e intoxicando os pacientes que não têm mais paciência. E "comunitária" aqui evoca a doença política do "comunitarismo", ou seja de sectarismos ou mesmo de terrorismo. Estamos chamando aqui este novo saber- fazer do trabalho de grupo, centrado na pessoa, como forma de nova socialização, um santo remédio para combater o individualismo moderno de grupo de escuta, palavra e laço ("lien").

Esta ponte Fortaleza – Grenoble é uma prova que outra globalização é possível, quando experiências de solidariedade nascidas nas favelas de Fortaleza são exportadas para o primeiro mundo. Quando a Sociedade civil planetária (SOCIPLA) assume seu papel entre os dois outros atores históricos Estado e Capital a história avança. A SOCIPLA segurando com a mão esquerda o Estado e seus serviços públicos e com a mão da direita a força bruta do capital selvagem e sua responsabilidades sociais o projeto da humanidade avança.

Esta ponte Norte/Sul foi montada por Associações dos dois lados do Atlântico: O Projeto Quatro Varas de Fortaleza e a Associação dos amigos do Projeto Quatro Varas de Grenoble. A Terapia Comunitária do Prof. Adalberto Barreto chegou à França articulando os serviços públicos de saúdes com ONG. Esta ação conjunta dos serviços públicos universitários e municipais com Associações ou ONG formam o que chamamos de corpo intermediário. O que deu certo no Ceará está dando certo no velho continente.
A Prefeitura de Fortaleza, parceira do Projeto Quadro Varas, assume a nova metodologia social, nascida do trabalho de base da Extensão universitária, com a farmácia viva do Dr. Mattos, do teatro educativo e das velhas técnicas de massagens. Estas novas formas de serviços públicos – liturgias em grego – nascida no engajamento comunitário, na extensão universitária, na Educação Popular que vem rearticulando o saber fazer popular com a C&T mais moderna.

Na delegação de Fortaleza vieram líderes populares que nunca foram à Escola, como Dona Zilma, a rezadeira e Seu Zequinha do movimento de articulação cidadã, na luta pela volta do trem. Eles dois co-fundadores da terapia comunitária, faz vinte anos, deram um show em Grenoble, em seu trabalho de intercâmbio Norte / Sul, tanto em auditórios cheios como em pequenos grupos institucionais. Nesta delegação, além de Dr. Adalberto Barreto estava o próprio Secretário Municipal de Saúde, Prof. Dr. Odorico de Andrade que veio trazer a boa nova do casamento entre serviços públicos e organizações populares, entre o saber-fazer popular e a Ciência & Tecnologia. Esta utopia política que nos alimenta a esperança de menos injustiça e mais democracia nas instituições no Norte e do Sul.

Da França para Fortaleza os amigos do Projeto 4 Varas levam avanços no saber fazer da saúde pública, como as massagens para crianças e as técnicas de espetáculos educativos. Esta ponte não é de hoje ela está festejando hoje seus 15 anos e está exportando para outros países esta criatividade da Terapia comunitária, centrada na escuta das pessoas que sofrem, na democrática do uso da palavra e na criação de novas laços de solidariedade que liberta o cidadão do individualismo, moderno que está matando gente de frio neste capitalismo selvagem.

*http://ethnopharma.free.fr/brazil.htm - zeandrade@ifrance.com
http://ethnopharma.free.fr/brazil.htm - zeandrade@ifrance.com

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Terapia Comunitária no Chile


2011

FELIZ 2011!!!!

QUE ESTE NOVO ANO NOS TRAGA NOVAS RODAS E INVENÇÕES NA PARTILHA DE NOSSAS DIFICULDADES, QUE NOSSA REDE SOLIDÁRIA E AFETIVA CONTINUE GIRANDO, GIRANDO E GIRANDO SEMPRE...

GRATO PELA PRESENÇA DE TODOS...

MOVIMENTO INTEGRADO DE TERAPIA COMUNITÁRIA - MITCO
http://br.groups.yahoo.com/group/MITCO/

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Educação em valores humanos




Instituto Sri Sathya Sai de Educação do Brasil
Programa Sathya Sai Educare Educando com Valores
“Semeie um pensamento e colherás um ato;Semeie um ato e colherás um hábito;Semeie um hábito e colherás um caráter;Semeie um caráter e colherás um destino”
Sathya Sai Baba
O instituto Sri Sathya Sai de Educação do Brasil é uma instituição sem fins lucrativos e promove cursos e oficinas para qualquer pessoa, especialistas ou não que trabalham na construção da solidariedade entre as pessoas, que vai de encontro ao objetivo da Terapia comunitária, promover rede de apoio e solidariedade aos diversos tipos de problemas humanos que trazem sofrimento. As atividades são oferecidas à sociedade sempre gratuitamente. A Educação em Valores Humanos conduz à excelência humana.”
O Programa Educare visa o respeito e a unidade de todas as religiões ( Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, ). Os Valores que norteiam o PSSE são os mesmos princípios éticos, filosóficos e espirituais de todas as Religiões e de todas as Culturas da Humanidade.
A proposta visa basicamente a formar pessoas de caráter, ensinando a reconhecer e viver o que existe de mais sagrado na vida: o Amor, a Verdade, a Paz, a Ação Correta e a Não-Violência. Com base nesses valores universais, realizam-se todos os projetos, visando o desenvolvimento do ser humano e a criação de uma cultura de paz, contribuindo de forma efetiva para resgatar a cooperação, a solidariedade e o respeito ao diferente, considerando todas as culturas e tradições.
Suas atividades promovem a construção do conhecimento e o desenvolvimento humano com consciência e ética, seguindo uma proposta que visa despertar nas pessoas seu compromisso com a construção de um mundo mais harmônico e justo através do exercício amoroso das competências, cognitiva, técnica, social e humana. Os resultados dessas atividades se traduzem através da aplicação e da vivência da proposta de Valores Humanos em todas as áreas de atividades, inclusive na Terapia Comunitária. Abaixo estão os sites para quem tiver interesse e achar em sua cidade lugares para fazer o curso básico em Educação em Valores Humanos.
www.saieducare.org.br/
www.sathyasai.org.br/


Instituto Sri Sathya Sai de Educação do Brasil
Programa Sathya Sai Educare Educando com Valores
“Semeie um pensamento e colherás um ato;Semeie um ato e colherás um hábito;Semeie um hábito e colherás um caráter;Semeie um caráter e colherás um destino”
Sathya Sai Baba
O instituto Sri Sathya Sai de Educação do Brasil é uma instituição sem fins lucrativos e promove cursos e oficinas para qualquer pessoa, especialistas ou não que trabalham na construção da solidariedade entre as pessoas, que vai de encontro ao objetivo da Terapia comunitária, promover rede de apoio e solidariedade aos diversos tipos de problemas humanos que trazem sofrimento. As atividades são oferecidas à sociedade sempre gratuitamente. A Educação em Valores Humanos conduz à excelência humana.”
O Programa Educare visa o respeito e a unidade de todas as religiões ( Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, ). Os Valores que norteiam o PSSE são os mesmos princípios éticos, filosóficos e espirituais de todas as Religiões e de todas as Culturas da Humanidade.
A proposta visa basicamente a formar pessoas de caráter, ensinando a reconhecer e viver o que existe de mais sagrado na vida: o Amor, a Verdade, a Paz, a Ação Correta e a Não-Violência. Com base nesses valores universais, realizam-se todos os projetos, visando o desenvolvimento do ser humano e a criação de uma cultura de paz, contribuindo de forma efetiva para resgatar a cooperação, a solidariedade e o respeito ao diferente, considerando todas as culturas e tradições.
Suas atividades promovem a construção do conhecimento e o desenvolvimento humano com consciência e ética, seguindo uma proposta que visa despertar nas pessoas seu compromisso com a construção de um mundo mais harmônico e justo através do exercício amoroso das competências, cognitiva, técnica, social e humana. Os resultados dessas atividades se traduzem através da aplicação e da vivência da proposta de Valores Humanos em todas as áreas de atividades, inclusive na Terapia Comunitária. Abaixo estão os sites para quem tiver interesse e achar em sua cidade lugares para fazer o curso básico em Educação em Valores Humanos.
www.saieducare.org.br/
www.sathyasai.org.br/

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Resiliênca, quando a carência gera competência

Toda carência gera uma competencia. A resiliência, um dos pilares básicos em que se apóia a Terapia Comunitária, se refere ao saber que a pessoa adquire ao longo da sua vida, pela experiência, a luta, as vitórias sobre dores que poderiam te-la quebrado ou, de fato, a quebraram durante anos.

Quando a pessoa emerge vitoriosa do processo de estranhamento de si mesma, quando ela recupera a sua autoestima, aprende que ela é alguém de valor sem igual na sua vida, alguém que por ter vencido todas as batalhas que se apresentaram até o momento atual, é dona de um saber e de um poder que nada deve a ninguém, mas apenas a si mesma.

Tendemos a valorizar em demasia algo que lemos, uma ajuda que recebemos, alguma pessoa ou muitas, a quem atribuimos valor enorme na nossa vida. Mas sem a nossa decisão de vencer, teriamos sucumbido. As pessoas do meio popular valorizam muito o saber aprendido na escola da vida.

A Terapia Comunitária reforça esta atribuição de valor, enfatizando que cada um é doutor na sua própria experiência. Saber que se aprende nos livros e nas escolas, o saber técnico-científico, na substitui mas se complementa com o saber experiencial, o que foi adquirido no dia a dia, ao longo dos anos, na luta contra circunstâncias adversas, quer seja na família, a primeira escola de cada um, quer na escola ou no trabalho, na vizinhança, nas distintas esferas sociais de atuação.

A pessoa resiliente valoriza os gestos de ajuda que recebeu e recebe ao longo da vida. Ela se nutre da generosidade, da infinidade de atos de amor que a acolheram e ampararam ao longo das vicissitudes que teve de atravessar. Ela sabe que cada um, cada ser humano, é a soma de infindáveis atos e gestos de colaboração que deram por resultado o ser que cada um de nós é agora.

A vida adquire um valor inestimável desde esta perspectiva, em que tudo que somos reúne os nossos ancestrais, os amigos que fomos tendo nas distintas etapas da vida, as lutas que tivemos que enfrentar, os ambientes e experiências adversos pelos que tivemos que atravesar, as vitórias que nos foi dado obter. Somos uma soma de atos de amor.

A pessoa resiliente sabe disto, e age em conseqüência, valorizando cada pequena coisa. É comum em famílias de imigrantes ou pessoas que sofreram necessidades como fome ou escassez, valorizar uma migalha de pão, uma gota de água, um pedaço de comida, um olhar de compreensão, uma escuta calorosa e atenta.

Quando a pessoa se vê na trama da vida, na teia da vida, como costumamos dizer na Terapia Comunitária, ela não dispensa nada, e o que a faz sofrer a faz crescer. Ela descobre isto na sua formação como terapeuta comunitário, quando reconhece o processo do qual é resultado. Si se sentiu abandonada, não querida, torna-se amorosa, sensível ä dor alheia, capaz de se doar sem nada esperar, sabendo da alegria de poder se integrar amorosamente na vida dos outros.

Se foi problema, tende a ser solução. Se se sentiu um estorvo, sabe acolher. No processo de se tornar terapeuta comunitário, a pessoa aprende a se tornar cada vez mais autônima, mas senhora de si, na medida em que sai do papel de vitima para o de vencedor. A complementação do saber científico com o experiencial, oriundo da vida e das vivências que cada pessoa passou e passa, cria essa capacidade resiliente que torna o individuo forte naquilo em que foi mais débil.

É a transformação da fraqueza em força, e cada ser humano é capaz de descobrir e descobre que isto ocorre na vida de cada pessoa. Neste sentido, pode-se dizer que é a vitória do ser humano sobre a adversidade. Eterna epopéia infindável em que todos estamos involucrados, e que não termina enquanto há vida.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Voltar, vencer

Na sexta-feira passada, passei por uma experiência que sinto necessidade de partilhar. Não desde o ponto de vista de uma vítima, embora eu e a minha esposa tenhamos ficado sob ameaça de arma de fogo e de faca, amarados, reféns na nossa própria casa, mas desde o ponto de vista humano, ou, melhor, desde um ponto de vista humano. Tenho pensado muitas vezes, desde então, o que é que os ladrões levaram de mais valioso desta vez.

Tenho voltado a ter as sensações que me acompanaram durane anos, de medo, paranoia, deconfiança, insegurança. Depois de muitos anos de árduo trabalho, tinha cmeçado a viver em paz, a confiar outra vz nas pessoas, a acordar de manhã e passar o dia numa calma benfazeja que me fazia apreciar a vida no que tem de mais belo. Isto virava poemas que partilhava com amigos e amigas, com colegas da terapia comunitária e do grupo de Igreja de que participo. Sei que isto voltará, náo sei quando, mas posso dizer, a todos e a todas que me lêem, que sei que hei de voltar novamente, como voltei da primeira vez, como continuarei voltando, porque é destino humano se ter de volta cada vez que nos perdemos.

Ninguém volta sozinho, isto sabemos, e sinto ao meu lado a presença de tantos seres amados, de luta e de força, incansáveis parteiros e parteiras da esperança e do amor. Sei que hei de vencer, porque o amor vence sempre e nada há superior ou maior do que o Amor.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Refletindo o Cuidar e ser Cuidado

Essas frases foram coletadas por mim e no final de cada uma contém uma pergunta reflexiva. Fiz um trabalho com funcionários dos CRAS de Campo Limpo Paulista, onde reunidos em grupos eles escolheram uma frase por membro para refletir em grupo num primeiro momento. Num segundo momento, da reflexão feita, eles bolavam uma frase síntese que seria então "publicada" na forma de folder e anexada em cada CRAS da cidade. Foi bem divertido e enriquecedor o trabalho, já que todos são cuidadores. Aproveitei para ter em mãos essas perguntas para utilizar como mote em momentos oportunos.

Cuidar e ser cuidado

1. Cuidar é respeitar cada ser, começando por você. Aceitar as diferenças, cada um é doutor de sua própria vida. Você tem aceitado as pessoas como elas são, sem tentar modificar, corrigir, julgar, convencer ou resolver pelo outro? E você tem sido respeitado?


2. Cuidar é perceber o sofrimento do outro e ser capaz de acolhê-lo e compreendê-lo com serenidade, amor e compaixão. Você tem acolhido com o coração aberto?

3. Ser Cuidado só é possível se eu me entrego ao cuidado, se me permito ficar vulnerável, na condição de humano frente aos outros. Você tem manifestado suas idéias, sentimentos, dúvidas, medos e inquietações em certos assuntos da sua vida?

4. Ser cuidado é a aquisição da confiança no outro, de que você também merece e precisa de cuidados. Como está sua confiança nas pessoas?


5. Cuidar é a capacidade de despir-se dos pré-preconceitos. Você tem revisto suas crenças e conceitos quando necessários?

6. Cuidar é mostrar ao outro que ele é importante e que vale a pena sempre investir nele mesmo. Como está sua confiança na capacidade do outro, na regeneração do ser humano?

7. Cuidar e ser cuidado é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. Você tem utilizado sua força de vontade, força interior, força adquirida das suas experiências de vida para transformar e aprimorar sua vida?

8. Ser cuidado é abrir-se para falar da intimidade com alguém que respeite nossos sentimentos e nossa luta com as circunstâncias da vida. Você tem um espaço para ser ouvido, compreendido em suas aflições, e compartilhado seus conhecimentos, suas experiências, suas riquezas?

9. Cuidar e ser cuidado é incentivar o outro e a si mesmo na busca por compreender-se e aceitar-se pelo que se é e não pelo que esperam que sejam. Você é o que você é ou o que os outros esperam que você seja? Você deixa as pessoas serem o que são ou mostra o caminho que você acha que seria o melhor para elas?

10. Cuidar é ter consciência da possibilidade do outro resgatar ou desenvolver potencialidades que possam ajudá-lo a realizar seu propósito essencial. Você tem dado apoio ao aprimoramento alheio sem alimentar a dependência em suas relações?

11. Cuidar é fazer aos outros aquilo que você gostaria que lhe fizessem. Como está sua balança da vida, tem feito pelos outros aquilo que gostaria de receber?

12. Cuidar é refletir sobre se os cuidados dispensados aos outros também são dispensados a você mesmo. Você tem pedido ajuda quando necessário? Você tem ajudado dentro de suas possibilidades?

13. Cuidar e ser cuidado exige um tempo para descontrair. Brinque, mexa e ria com você mesmo e com os outros. A vida não deixa de ser séria quando cultivamos alegria em nós e nos outros. Você tem celebrado as coisas boas da vida? Tem doado e recebido Amor e Alegria em sua vida?

14. Ser cuidado é assumir nossa posição humana, respeitando nossos limites e ritmo interno. Você tem respeitado seus limites e seu ritmo interno, sua maneira de ser, de se relacionar? Tem conseguido falar não quando necessário?

15. Cuidar e ser cuidado é preparar-se para enfrentar os desafios da vida (grandes ou pequenos; internos ou externos). Você tem mobilizado atenção e determinação para se conhecer, se aprimorar, vislumbrar e realizar seu propósito de vida para que a vida tenha valor?

16. Cuidar é não pretender fazer mais do que é possível (fazer pelo outro), nem menos do que é necessário (envolve compromisso e vínculo na relação). Como está sua prática no ato de cuidar?

17. Cuidar de si mesmo é empregar o tempo da melhor maneira possível. Como tem empregado o tempo na sua vida?

18. São Bartolomeu alerta-nos para o excesso quanto desperta seus discípulos ao dizer “(…) não descuides por causa disso o cuidado de ti mesmo, e não te dês aos outros até ao ponto de não restar nada para ti, para ti próprio”. Você tem pensado em você ou somente nos outros?

19. Cuidar é fazer de qualquer troca com outro ser humano, uma oportunidade para fazer uma conexão, através de um sorriso, de um gesto, de uma palavra. É fácil para você estabelecer conexão com os outros?

20. Cuidar-se é a melhor maneira de estar com outras vidas no seu dia-a dia, pois quanto mais você se cuidar, melhor cuidador será. O que tem feito para se cuidar?

21. Cuidar significa reconhecer que somos todos humanos e que todos sofremos algum tipo de dor. Você tem conseguido transformar suas dores em aprendizados, tirado as lições que precisa para seu aperfeiçoamento?

22. Cuidar e ser cuidado é ter consciência de que cada um de nós precisará de algum tempo e muito amor para se mostrar. Você tem dado aos outros e recebido o tempo, espaço e apoio com amor? Você tem expressado gratidão pela ajuda recebida?


23. “Saber cuidar e saber cuidar-se” é estabelecer relações harmoniosas entre as quatro dimensões da pessoa humana: relações consigo mesmo, com os outros, com o meio ambiente e com o Transcendente. Você tem se esforçado para se conhecer e conhecer o outro, penetrando nas profundezas do próprio eu? Tem cultivado seus valores pessoais?

24. Saber cuidar e saber cuidar-se é o exercício do Amor. Você tem se amado e se aceitado mesmo com suas limitações e dificuldades?

25. Cuidar é usar nossos talentos particulares para enriquecer as realizações das quais participamos, assumindo a parte que nos cabe. Você tem assumido a sua parte ( somente a sua e não a dos outros) de responsabilidade nas situações da sua vida?

26. Cuidar é desenvolver a relação de empatia, saber colocar-se no lugar do outro, seja em situações gratificantes ou de frustrações, sem contagiar ou impregnar-se com o que é do outro. Você consegue se envolver com os outros, acolhê-los sem pegar o problema para você?

27. Cuidar é não doar nossos cuidados exclusivamente para alguns e se distanciar de pessoas importantes da nossa vida. Todos precisam receber para poder dar. Quais são as pessoas do clube da sua vida que são importantes para você? Você tem dado e recebido atenção e cuidados destas pessoas?

Esse é o folder que foi anexado:

FRASES CÉLEBRES E REFLEXIVAS DE AUTORES MUITO ESPECIAIS

“O DESAFIO DE CUIDAR É APRENDER A DAR E RECEBER SEM INVANDIR O LIMITE DO OUTRO E SEM ULTRAPASSAR O SEU PRÓPRIO LIMITE”.
GISLAINE ; DJANIRA; GISLAINE

“VIVA O HOJE, CONHEÇA OUTRAS PESSOAS E DEIXE OS OUTROS TE CONHECER”.
DULCE; ISABEL; MARLENE

“DEVEMOS RETRIBUIR O QUE RECEBEMOS COM SENTIMENTO E AMOR, CONECTAR-SE NEM SEMPRE É FÁCIL, MAS QUANDO SE CONSEGUE, FICA-SE CADA VEZ MAIS LIVRE. SOMOS SERES HUMANOS PASSÍVEIS DE ERROS E ACERTOS. PARA CUIDAR DO OUTRO DEVEMOS NOS CUIDAR PRIMEIRO.”
ANTÔNIO; SILVANA; ROSELI

“CUIDE COM AMOR, ALEGRIA, ESPONTANEIDADE DE TODOS QUE NECESSITAR. NÃO ESQUEÇA DE PEDIR AJUDA QUANDO NECESSITAR, AFINAL VOCÊ TAMBÉM TEM SEUS LIMITES”.
VERA; SUELY; DÉBORA

“A BUSCA PELO EQUILÍBRIO INTERNO DE CADA UM REFLETE NAQUILO QUE PODEMOS COMPARTILHAR COM O OUTRO”.
DANIELA; VILMA; ILMA; SÔNIA

“NOS RECONHECEMOS, NOS ACEITAMOS E NOS COLOCAMOS EM BUSCA DE MELHORIAS, POR MEIO DA FÉ, DO TRABALHO E DETERMINAÇÃO, APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES NO DIA-A-DIA”. OSMAR; EDILEUZA; JOSÉ; MAGALI

terça-feira, 6 de julho de 2010

A teoria da comunicação humana, um dos pilares da Terapia Comunitária

A teoria da comunicação humana é um dos pilares básicos da terapia comunitária. Formulada por Watzlawick, Helmick-Beavin e Jackson, permite compreender a ação humana como um comportamento em que são transmitidas mensagens. Toda a conduta humana é transmissora de mensagens, inclusive quando nos propomos a não comunicar, estamos dizendo algo: você não existe, você não me importa, você não é de nada. Bem dizem que o contrário do amor não é o ódio, mas a denegação. Na terapia comunitária, aprendemos que uma pessoa deixa de ter sentido ou passa a ser ignorada deliberadamente, e isto acarreta conseqüências para a sua auto-estima, para a noção de si, para o seu modo de ser e de se comportar no mundo.

Uma criança que não foi desejada, desde o ventre materno soube disso, e veio ao mundo preparada para ter que agradar, para dizer que sim o tempo todo, para aceitar qualquer coisa em troca de um pouco de afeto. Uma que foi querida desde a conceição, ao contrário, é capaz de dizer sim quando quer, e não quando não quer. Estas constatações aparentemente muito simples, permitem com que a pessoa comece a ver a si própria desde outro lugar, desde uma possibilidade de auto-conhecimento autêntico, sem enganos, verdadeiro.

Muitas vezes, nas terapias ou nas formações de terapeutas comunitários, os participantes são levados a descobrirem as falsas imagens que fizeram de si mesmos, e que os tem aprisionado durante a vida toda, ou por longos períodos de tempo. Quando a pessoa começa a se perceber como alguém que venceu muitas batalhas, alguém que soube dar a volta por cima em circunstâncias que poderiam tê-la quebrado ou desviado do seu caminho, o conceito de si começa a emergir de uma maneira positiva. O sujeito se descobre capaz de direcionar sua própria vida, de dar um significado ao seu existir, de decidir o que quer que seja o seu próprio ser. “O que você quer para eu querer” (a criança ou a pessoa boazinha). “O que você quer para eu não querer” (o rebelde ou contestatário) são prisões em que a pessoa deixa de ser ela mesma, perde a sua liberdade, age por automatismos.

Quando aprendemos a decodificar as primeiras mensagens e a lê-las ao nosso favor, quebram-se os determinismos da nossa vida. Se alguém se sentiu abandonado, não querido, porque foi esperado menina e era menino, ou o contrário, isto determinou reações que estiveram fora do seu controle, da sua capacidade de decidir. Agiu durante anos contra o mundo, contra as pessoas, por vingança: não me quiseram, não os quero. Muitos comportamentos agressivos estão animados por uma reação de quem se sentiu não querido, não amado.

Muitas vezes a agressividade vai direcionada contra a própria pessoa, que passa a conviver com um tirano interno, um sabotador da sua felicidade e do seu direito a viver com alegria e segundo sua maneira única e irrepetível, no meio aos outros. Nas formações de terapeutas comunitários, um dos exercícios é a descoberta do animal com que cada um se identifica. Formam-se grupos e os coleguinhas que escolheram o mesmo animal, trocam figurinhas a respeito de si mesmos, dos seus modos de ser característicos.

Isto faz com que cada um descubra sua natureza mais comum ou freqüente, suas formas habituais de ser e de se comportar. Então, a pessoa deixa de se condenar e de se comparar com os outros, descobre sua forma única de ser, e a aceita. As mensagens recebidas (fui abandonado, não me quiseram) são re-codificadas em função do contexto interpretativo que a interpretação sistêmica e integrativa propõe, com base nos valores dos pais e da cultura em volta, e das escolhas próprias a pessoa. O que se aprende na terapia comunitária, em termos da comunicação, é a sair ou tentar quebrar as armadilhas da comunicação paradoxal, do duplo vínculo e das distorsões das mensagens equívocas que emitimos ou recebemos. “Carta certa para pessoa errada”, é quando emitimos uma mensagem que é correta no seu conteúdo, mas está sendo direcionada a quem não tem nada a ver.

Quando a reação é desproporcionada ao fato, estamos reagindo não ao fato, mas ao que ele nos remete. Estas chaves nos dão elementos para irmos re-programando a nossa conduta desde uma visão mais atual, mais presente, menos condicionada pelo passado. O passado é visto como o estrume necessário para o crescimento da planta. O presente desponta como um tempo novo, livre de amarras. O empoderamento das pessoas e das comunidades depende em boa medida da decodificação e re-codificação de mensagens recebidas e emitidas.